Depois de um dia caminhando pela cidade a procura de um espaço que pudesse acolher a futura intervenção, foi escolhido um corredor que liga a rua principal a uma loja de artesanato chamada “Caminho de Luz”. Localizado quase em frente da igreja Nossa Senhora da Penha, seus donos e artesões são compostos por uma família que mora na casa da frente. Essa loja foi uma adaptação em um cômodo separado no fundo da residência. O que nos atraiu para que esse lugar fosse eleito foi o fato de a loja ser bem escondida, logo, nosso objetivo era atrair atenção para esse espaço, trazendo-o para fora.
Com todas as medidas e fotos necessárias do corredor e depois de dinâmicas como performances e percepções virtuais em grupo, foram desenvolvidas propostas para a intervenção. Inspirado-se no nome da loja, foi determinado que seria produzido, ao longo do corredor , um caminho onde um sensor de presença ativaria lâmpadas em sequência, criando um caminho conduzindo a loja. Além disso, no muro mais baixo, haveria colocação de painéis flexíveis, transados em seu interior por mini canos coloridos, para se ter um fechamento do corredor, para induzir a uma idéia de imersão. Na entrada, a colocação de um pano preto com lentes de diferentes formatos e efeitos visuais aguçaria a curiosidade de quem passasse e seria uma forma convidativa dos transeuntes olharem pelas lentes, se interessarem e entrarem.
A intervenção, para melhor resultado, deve funcionar à noite. A combinação da lâmpada e da luminária produz no corredor um ambiente com cor rosa-alanranjado. É um trabalho bastante manual que requer paciência para resolver os problemas que vão aparecer durante o processo de montagem. É necessário testes anteriores para se evitar tais transtornos.
Meu objeto interativo teve como propósito a curiosidade e a surpresa. Como a caixa é totalmente preta, não se tem noção do que vai acontecer após a colocação da mão dentro de alguma de suas entradas. Com a movimentação da mão dentro da luva, o usuário irá descobrindo novas sensações, o acendimento das luzes e acionamento de barulhos. A interação pode ser individual ou em dupla.
Para a construção do circuito foi utilizado 2 baterias de 9V, 2 resistências, 3 reeds switch, 8 imãs, 7 leds de cores variadas e 2 busers.
Interaction design é o design da interação entre pessoas e dispositivos, sistemas ou serviços. Essa interação geralmente envolve as "novas tecnologias" da computação e comunicações. Mas Interaction design continua a ser uma atividade criativa - como o projeto arquitetônico, gráfico ou produto. E isso diz respeito ao significado e valor cultural social do que é concebido, bem como sua eficiência funcional e estética.
O site, dirigido por Gillian Crampton Smith e Philip Tabor, na maior parte de suas preocupações do programa de Interaction Design (IxD) na faixa de Comunicação Visual e Multimédia (clasVEM) do Programa de Pós-Graduação em Design na Universidade IUAV de Veneza, Itália.
LAB 1: Screen-based interaction
Neste laboratório, com 11 semanas de projeto, que se reúnem quatro tardes por semana, os alunos fazem as necessidades das pessoas como ponto de partida. Eles identificam as pessoas para quem móveis ou serviços de internet possam ser úteis e imaginar as necessidades dessas pessoas, motivações, esperanças e medos. Em seu primeiro ano os alunos fazer um projeto de telefonia móvel, projetando para o pequeno ecrã, em seu segundo ano fazem exame de um projeto mais complexo. Durante o laboratório, são introduzidos os conceitos de computação, bem como a utilização de vídeo para demonstrar o contexto de uso dos projetos.
Esses projetos se concentram no lado social de aplicações e serviços bem como sobre aspectos estéticos e técnicos. Acreditam que a função de desenhar não é suficiente: aplicações bem sucedidas devem também satisfazer as necessidades das pessoas social e emocional. Os projetos muitas vezes tomam Veneza como seu contexto: um desafio para design de interação, para desenvolver o novo sem perder o que é de valor no velho, é particularmente pungente aqui.
LAB 2: Ambient Interaction
No physical computing design lab, os alunos, trabalhando em equipes, são convidados a desenhar um objeto físico ou instalação que forneça informações de algum tipo. Pode ser uma informação específica, como a chegada do ônibus ou o estado das marés, ou informações mais simples, como o movimento de pessoas em um local remoto. Os alunos aprendem eletrônica básica e experiência com 'hacking' exisitng, dispositivos eletrônicos, como brinquedos e teclados para fazer novos. No final do Lab eles fazem um protótipo funcional de seu projeto.
Design de interação não se limita a tela ou ao teclado do computador e telefone celular.Todos os tipos de objetos e instalações podem ser ligados em sistemas interativos. Este é o mundo de sensores, atuadores e robótica; da computação física, interfaces tangíveis e ambientes inteligentes.
IVREA (Interaction Design Institute IVREA)
Interaction Design Institute Ivrea (também conhecido como Interaction Ivrea, IDII ou Ivrea) foi uma escola de pós-graduação na área de Design de Interação operacional na cidade de Ivrea, na Itália. O diretor da escola foi Gillian Crampton Smith, e a missão da escola foi descrita como "Enquanto segue no espírito do curso CRD, Ivrea vai explorar negócios, além de design e tecnologia. Crampton Smith acredita que hoje há uma ‘arte’ em imaginar novos modelos de negócio, e também está ciente de que, em parte por causa de sua ampla educação, licenciados em design, muitas vezes se move para funções estratégicas em empresas e precisa ser equipado para aprender por si mesmos." (CRD refere-se ao original curso de mestrado Computer Related Design em design de interação no Royal College of Art, em Londres. Ele agora é chamado Interação Design.)
IDEO (design and innovation consultancy)
IDEO é um projeto internacional e consultoria de inovação fundada em Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos com outros locais em San Francisco, Chicago, Nova York, Boston, Londres, Munique, Xangai e Singapura, bem como Mumbai, Seul, e Tóquio. A empresa ajuda a projetar produtos, serviços, ambientes e experiências digitais. Além disso, a empresa tornou-se cada vez mais envolvidos em consultoria de gestão e estrutura organizacional.
A obra escolhida foi Desvio para o Vermelho, localizada na galeria Cildo Meireles. Ao entrar no espaço, há um encantamento pela decoração e predominância da cor vermelha. Mas após muito tempo no local, a cor trás um certo incômodo, além dos pequenos ruídos presentes. Em uma sala ao lado, totalmente escura, há um pia escorrendo “sangue” ao fundo, ocasionando medo em alguns que adentram. Em alguns momentos, há a tentativa de descobrir a história que envolve o ambiente, se há morte, assassinato, fuga ou abandono.
Desde o fim da década de 1960, Cildo Meireles tem se afirmado como voz única na arte contemporânea, construindo uma obra impregnada pela linguagem internacional da arte conceitual, mas que dialoga de maneira pessoal com o legado poético do neconcretismo brasileiro de Lygia Clark e Hélio Oiticica.
Seu trabalho pioneiro no campo da arte da instalação prima pela diversidade de suportes, técnicas e materiais, apontando quase sempre para questões mais amplas, de natureza política e social. Neste sentido, Desvio para o Vermelho é um de seus trabalhos mais complexos e ambiciosos – concebido em 1967, montado em diferentes versões desde 1984 e exibido em Inhotim em caráter permanente desde 2006. Formado por três ambientes articulados entre si, no primeiro deles (Impregnação) nos deparamos com uma exaustiva coleção monocromática de móveis, objetos e obras de arte em diferentes tons, reunidos “de maneira plausível mas improvável” por alguma idiossincrasia doméstica. Nos ambientes seguintes, Entorno e Desvio, têm lugar o que o artista chama de explicações anedóticas para o mesmo fenômeno da primeira sala, em que a cor satura a matéria, se transformando em matéria. Aberta a uma série de simbolismos e metáforas, desde a violência do sangue até conotações ideológicas, o que interessa ao artista nesta obra é oferecer uma seqüência de impactos sensoriais e psicológicos ao espectador: uma série de falsas lógicas que nos devolvem sempre a um mesmo ponto de partida.
Penetrável Magic Square # 5 de Helio Oiticica
Swoon de Janine Antoni
Janine Antoni afirma que sua obra não tem significado em si mesma enquanto objeto ou ação. Para a artista, o que atribui sentido a seus trabalhos são as relações criadas durante os processos e os percursos, seja em suas performances, instalações ou esculturas. Em Swoon (1997), esta característica fica explícita. Na instalação composta por três ambientes, a entrada do espectador se dá por uma sala onde se vê o lado externo de uma parede cenográfica e se ouve uma forte respiração. Ao investigar o espaço, o espectador é jogado para o centro da cena, um ambiente teatral onde se encontra a projeção semicoberta de um casal de bailarinos em ação. Espelhos duplicam a cena e fazem incorporar a presença do visitante ao espetáculo. Por fim, atrás do último jogo de cortinas, revela-se o processo de construção da imagem no espaço, ao som da música de Tchaikovsky (1840-1893), do grand finale do famoso "O Lago dos Cisnes"(1875-1876). Na produção de Janine Antoni, o corpo está sempre presente: seja diretamente, através das performances; indicialmente, quando a artista utiliza-o como instrumento para construção da obra; ou indiretamente, quando os traços do corpo da artista desaparecem e a obra aciona o corpo do espectador. Em Swoon (1997), a relação entre os bailarinos, bem como aquela entre artista, espaço e público, mostra que sempre há algo mais prestes a ser descoberto e revelado.
Cildo Campos Meirelles (Rio de Janeiro RJ 1948). Artista multimídia. Inicia seus estudos em arte em 1963, na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília, orientado pelo ceramista e pintor peruano Barrenechea (1921). Começa a realizar desenhos inspirados em máscaras e esculturas africanas. Em 1967, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde estuda por dois meses na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Nesse período, cria a série Espaços Virtuais: Cantos, com 44 projetos, em que explora questões de espaço, desenvolvidas ainda nos trabalhos Volumes Virtuais e Ocupações (ambos de 1968-1969). É um dos fundadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1969, na qual leciona até 1970. O caráter político de suas obras revela-se em trabalhos como Tiradentes - Totem-monumento ao Preso Político (1970), Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-cola (1970) e Quem Matou Herzog?(1970). No ano seguinte, viaja para Nova York, onde trabalha na instalação Eureka/Blindhotland, no LP Sal sem Carne (gravado em 1975) e na série Inserções em Circuitos Antropológicos. Após seu retorno ao Brasil, em 1973, passa a criar cenários e figurinos para teatro e cinema e, em 1975, torna-se um dos diretores da revista de arte Malasartes. Desenvolve séries de trabalhos inspirados em papel moeda, como Zero Cruzeiro e Zero Centavo (ambos de 1974-1978) ou Zero Dólar (1978-1994). Em algumas obras, explora questões acerca de unidades de medida do espaço ou do tempo, como emPão de Metros (1983) ou Fontes (1992). Em 2000, a editora Cosac & Naify lança o livroCildo Meireles, originalmente publicado, em Londres em 1999, pela Phaidon Press Limited. Participa das Bienais de Veneza, 1976; Paris, 1977; São Paulo, 1981, 1989 e 2010; Sydney, 1992; Istambul, 2003; Liverpool, 2004; Medellín, 2007; e do Mercosul, 1997 e 2007; além da Documenta de Kassel, 1992 e 2002. Tem retrospectivas de sua obra feitas no IVAM Centre del Carme, em Valência, 1995; no The New Museum of Contemporary Art, em Nova York, 1999; na Tate Modern, em Londres, 2008; e no Museum of Fine Arts de Houston, 2009. Recebe, em 2008, o Premio Velázquez de las Artes Plásticas, concedido pelo Ministério de Cultura da Espanha. Em 2009, é lançado o longa-metragem Cildo, sobre sua obra, com direção de Gustavo Moura.
Informações adicionais
Cildo Meireles é reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros contemporâneos. Aos 10 anos de idade muda-se para Brasília, onde tem contato com a arte moderna e contemporânea. A partir de 1963, estuda com Barrenechea e acompanha a produção artística internacional por livros e revistas. Nesse momento, se impressiona com a coleção de máscaras e esculturas africanas da Universidade de Dacar, exposta na Universidade de Brasília (UnB). Por meio de publicações, conhece o Grupo Neoconcreto, do Rio de Janeiro. Sente-se atraído pelo movimento e se interessa pela possibilidade aberta pelo grupo "de pensar sobre arte em termos que não se limitassem ao visual". No entanto, diferentemente daqueles artistas, seu trabalho, na época, é gestual e figurativo - um desenho de natureza expressionista.
Em 1967, muda-se para o Rio de Janeiro. Nesse ano, o desenho passa para segundo plano, e o artista abandona a figuração expressionista, voltando-se para obras tridimensionais. Sua primeira instalação é Desvio para o Vermelho, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1967. Cria os Espaços Virtuais: Cantos (1967-1969), fragmentos de ambientes em que dois planos se cruzam abrindo uma fresta entre eles. Em 1970, participa da exposição coletiva Information, no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York. A mostra reúne boa parte da produção de matriz conceitual da década de 1960. Cildo Meireles leva as Inserções em Circuitos Ideológicos (1970), série de trabalhos em que imprime frases subversivas em cédulas de dinheiro e garrafas de Coca-Cola, deslocando a recepção da obra da dimensão de "público" para a de "circuito". A intervenção política em objetos banais é constante em sua produção entre 1970 e 1975, como Árvore do Dinheiro (1969), Introdução a uma Nova Crítica (1970) e O Sermão da Montanha: Fiat Lux (1973).
Mora nos Estados Unidos de 1971 até 1973. Ao retornar ao Brasil, concentra-se nas linguagens conceituais e na apropriação de objetos não-artísticos. Em 1974, termina a primeira versão do trabalho Malhas da Liberdade (1976). Realiza, em 1975, a instalaçãoEureka/Blindhotland, em que investiga propriedades sensoriais não visuais dos objetos utilizados. Na segunda metade da década de 1970, amplia essa discussão em esculturas como A Diferença entre um Círculo e uma Esfera É o Peso (1976), Estojo de Geometria(1977) e Rodos (1978).
No início da década de 1980, alguns elementos pictóricos são incorporados às suas instalações e esculturas, como em Volátil (1980), Maca (1983), Cinza (1984) e Para Pedro(1984). Realiza Missão/Missões (1987), instalação feita com óstias, moedas e ossos, eAtravés (1989), um ambiente labiríntico formado por objetos e materiais utilizados para delimitar ou interditar espaços, como grades e alambrados. Em 2001, realiza Babel, instalação sonora e luminosa feita com rádios sintonizados em diferentes estações, que retoma e atualiza seus trabalhos com discos de vinil da década de 1970. É o segundo artista brasileiro a ter uma exposição retrospectiva de sua obra na Tate Modern, em Londres, em 2008. No ano anterior, a instituição realiza uma mostra dedicada a Hélio Oiticica.
Inhotim
Inhotim possui ainda galerias e pavilhões construídos especialmente para abrigar de forma permanente trabalhos de um determinado artista. A Galeria Cildo Meireles inaugurada em 2004 expõe um seleto conjunto de obras desse grande nome da arte contemporânea brasileira.
Abaixo, há um vídeo com as três obras de Meireles expostas na galeria que leva seu nome.